Livros que não li
Martha Medeiros
Há anos que a safra de livros é melhor, outros nem tanto. Mas a Feira da Praça da Alfândega é um lugar perfeito para encontrar os melhores.
Leio anualmente mais ou menos a mesma quantidade de livros, mas há anos que a safra é melhor, outros nem tanto. Este ano não foram muitos os livros que me empolgaram. É bem verdade que dediquei grande parte do meu tempo a ler alguns clássicos publicados pela Biblioteca ZH que eu não havia lido, e todos eles merecem ser recomendados com veemência, mas, fora eles, vibrei com pouca coisa.
Um livro diferenciado foi Primeiro Amor, de Samuel Beckett, publicado pela Cosac & Naify. Gostei demais também do Queda Livre, do Otávio Frias, do Carta ao Pai, de Kafka, publicado na coleção pockte da L&PM, de O Flerte, do psicanalista Adam Philips, e do texto da peça Arte, de Yasmina Reza. Recentemente conclui O Que Eu Amava, de Siri Hustvedt, e O Xará, de Jhumpa Lahiri, dois ótimos romances sobre relações humanas. Mas é pouco para constar de uma crônica que pretendia dar sugestões. Então, este ano, em vez de recomendar o que eu li, vou recomendar o que eu vou ler, e quem quiser apostar comigo nestes títulos, avante.
Nesta Feira, pretendo investir em duas autoras nas quais ainda não pus os olhos: Natalia Ginzburg e Amelie Nothomb. Estou atrasada, já devia conhece-las. Depois de assaltar um banco, irei atrás do relançamento de O Aleph, de Jorge Luis Borges, O Beijo do Otário, de Alan Parker, O Som e a Fúria, de William Faulkner, Está Ficando Tarde Demais, de Antonio Tabucchi, Fogo Pálido, de Nabokov, O Inventor de Passado, do Agualusa, Minha Vida, de Tcheckov, Brasas, de Sandor Marai, Terapia, de David Lodge e A Noite do Oráculo, de Paul Auster.
E, entre os nacionais, pretendo comprar Arquitetura do Arco-Íris, de Cintia Moscovich, Fragatas Para Terrar Distantes, de Marina Colasanti, Aprendendo a Viver, de Clarice Lispector, Cartas a Um Jovem Terapeuta, de Contardo Calligaris, Lorde, de João Gilberto Noll, Bandidos e Mocinhas, de Nelson Motta, Elas Querem É Falar, de Nilza Rezende, Memórias, de Oscar Niemeyer, Porno Pop Pocket, de Paula Taitelbaum, Estudo das Teclas Pretas, de Luis Paulo Faccioli e o livros da coleção Ame o Poema, especialmente os de Ricardo Silvestrin, Alice Ruiz, Celso Gutfreind e Marcelo Pires, que estreia na poesia com seu Anotações a Partir do Meu Astrolábio.
Sem falar nas aquisições por impulso.
Ou seja, diante deste meu audacioso plano de compras, não me restará outra alternativa a não ser me entregar para a polícia – sim, fui eu que assaltei o banco, delegado – e torcer pra pegar ao menos uns três anos de detenção em regime fechado, pois só assim terei tempo para ler todos os títulos que venho acumulando na minha cabeceira, todos os que levarei para casa nestes dias que restam de Feira e todos os que ainda pretendo comprar até o fim dos meus dias. Ler é que é a verdadeira liberdade.
Domingo, 7 de novembro de 2004.
Desenvolvido por Carlos Daniel de Lima Soares.